quarta-feira, 12 de outubro de 2011

RESGATE

Eu estava sozinho, praticamente esquecido por todos, jogado ás traças. Não tinha perspectiva, planos e nem esperava por mais nada. Quanto mais os dias me passavam, sentia o fim cada vez mais próximo.
E era assim que eu ia levando, empurrando uma existência sem muito sentido e sinceramente apenas esperando que algo a findasse. Machucava-me voluntariamente, sem culpas e pensava em autoflagelação, não física, mas psicológica.
Só que a vida é engraçada, ás vezes e prega peças que podem se tornar agradabilíssimas surpresas ou tormentos insuportáveis. Acontece que a minha cota de tormentos já estava esgotada e até mesmo superada a essa altura da vida, porém mesmo assim nunca esperei algo que confortasse.
Depois de ter passado por várias situações ruins, de ter me separado do que me importava por diversas vezes e ser adicto de substâncias insalubres, só aguardava realmente os derradeiros instantes de uma história comum. De repente a vida resolve brincar de autora e transforma uma história comum em um enredo digno de uma “soap-opera”, definindo novos rumos, planos e aspirações.
Pessoas aparecem como quem não quer nada, com seu jeito, idéias, humores e até defeitos, sem aviso prévio, se tornam peças imprescindíveis no desenrolar dessa continuidade.
E assim sendo ocorre um estranho fenômeno, a espera pelo fim se transforma em renascimento. A autoflagelação se transforma em atitude positiva. Um sorriso passa a salvar o seu dia quando nada mais importava. Um nome basta pra tranqüilizá-lo quando nem uma tonelada de calmantes o fazia dormir. Uma companhia por breves minutos valem mais que o resto da vida rodeado de pessoas.
Existem pessoas que aprecem para nos resgatar e após esse regate acontecer, é claro que ocorrerão outras tempestades, a diferença está que quando estamos resgatados, ao contrário de esperarmos o pior, nós temos certeza da calmaria que está por vir. 

sábado, 24 de setembro de 2011

ONDE TODOS SABEM MEU NOME

Sozinho com pensamentos, sem nada pra fazer
Conversando intimidades com a solidão
Apesar de tanto tempo, não quero esquecer
E nem deixar minhas lembranças se perderem em vão

Aprisionado em um mundo que não é o meu
Buscando compreender o que se passa a minha frente
Por mais que tente, não me lembro como aconteceu
Como tudo foi ficar tão diferente

Eu sinto falta de todos
Eu sinto falta de tudo
Sinto falta até mesmo de coisas banais
Eu sinto falta das nuvens
Eu sinto falta da chuva
Sinto falta da vida que ficou pra trás

Enquanto isso o escuro vem para ajudar
Vou remoendo memórias seja do que for
E vou fazendo de tudo pro tempo passar
Assim não sobra espaço para sentir dor

De repente é madrugada e estou acordado
Vou recordando bons momentos pra me consolar
Desejando que o futuro me leve ao meu passado
Só assim minhas feridas irão cicatrizar

Eu sinto falta do dia
Eu sinto falta da noite
Sinto falta do barulho enlouquecido
Sinto falta da lua
Sinto falta da rua
Sinto falta até do que já tinha esquecido

Mas existe um lugar
Onde sou capaz de sorrir
Que o tempo deixou
Meio longe daqui
Quando consigo estar lá
Minhas angústias somem
Existe um lugar
Onde todos sabem meu nome

sábado, 3 de setembro de 2011

A FANTÁSTICA FÁBRICA DE LIXO DO RICK


O texto de hoje é pra você que escuta as rádios FM populares e vibra com suas bandas favoritas nos programas de auditório dominicais decadentes do nosso país. Olhe bem a sua volta e procure alguma referência pessoal, a mínima que seja nas canções desses artistas que você pensa gostar tanto. Aposto que não encontrou nenhuma não é mesmo?
 Porque nem mesmo a grande maioria desses “artistas” consegue isso. Infelizmente essas músicas que tocam em rádios ou programas de TV são apenas produtos de consumo para a grande massa. Não tem preocupação artística, são como produção em série de qualquer fábrica que existe por aí.
 Pois é, e o grande magnata dessa indústria no Brasil atende pelo nome de Rick Bonadio. Produtor musical, compositor e jurado de programa de calouros é um dos mais requisitados profissionais nesse segmento em terras brasileiras. Mas isso seria garantia de qualidade? O currículo de trabalhos de Rick mostra que não.
 Há anos Rick vem produzindo e investindo em discos de bandas que pouco ou nada acrescentam no cenário musical brasileiro, bandas que são fabricadas única e exclusivamente para sanar o filão de fãs adolescentes desesperadas por ídolos descartáveis que vestem roupas descoladas e tem talento musical extremamente limitado.
 Por exemplo, Rick é responsável por um grande número de bandas que se dizem “rock”, mas que nada mais são que boys-bands com uma incrível habilidade de envergonhar quem gosta de rock de verdade, como Restart, Hateen, Fresno, NX Zero, CPM22 e Strike. Rick também atacou o filão de improvável rock cristão com discos de qualidade duvidosa das bandas Resgate e Katsbarnea, cujo principal objetivo é engrossar com jovens a grande massa de dizimistas de suas congregações. Isso sem falar em aberrações como Rodolfo e ET, Calypso, Dominó, Dogão, Rouge, Br’oz, LS Jack, Rastaclone. Rick também participou do programa Country Star onde tivemos Nathália e Leovander com músicas que constrangeriam Johnny Cash e também do quadro Olha A Minha Banda onde a principal descoberta foi a fatídica banda Agnela.
 É claro que Rick também fez outros trabalhos, porém o único álbum que eu posso considerar audível do admirável produtor foi o acústico do Ira. Não sei se Sr. Rick Bonadio gosta mesmo dos discos que produz ou se realmente se submete a produzir mediocridades por que precisa se sustentar, também não tenho nada contra a sua pessoa, porque acho sinceramente que deve ser um cara de bem, mas os discos em que trabalhou ao longo da carreira fazem jus ao título do texto. Talvez um dia Rick olhe com a devida importância para bandas como Tomada, Cracker Blues, O Bando Do Velho Jack, Motorocker e várias outras que estão há muito tempo fazendo boa música no país e que por falta de apoio do alto clero da mídia nacional continuam restritas a que realmente vai atrás de bons sons. Espero sinceramente que o Sr. Rick Bonadio um dia feche sua fantástica fábrica de lixo e se torne o Willy Wonka dos verdadeiros talentos da música feita no Brasil.

domingo, 31 de julho de 2011

TRISTE JANEIRO

Meu mundo inteiro desabou
Quando você fechou a porta e disse vai
Tentei entender como tudo acabou
Sobre mim belas estrelas de um triste janeiro

Durante muito tempo eu chorei
Curando uma ferida que aos poucos cicatrizava
Durante muito tempo eu procurei
A paz de longa data que eu esperava

Por quanto tempo vou me torturar
Tentando entender
Meus dias têm se passado em vão
Preciso esquecer, tenho que esquecer

Hoje cedo eu acordei
E decidi não mais chorar
As lágrimas de um triste amor
Que eu sei, não irá mais voltar

Confesso que até pensei
Em tentar te encontrar
Mas a dor dentro do peito
Disse pra deixar pra lá

E quanto tempo eu ainda vou passar
Esperando por você
Para acalmar meu coração
Preciso te entender, tenho que entender.

domingo, 24 de julho de 2011

LIKE A KINDERGARTEN

Sinceramente não sei por onde começar o texto de hoje. São muitas lembranças, nuances, gestos, expressões, palavras canalizadas em um único ponto que me fazem perder um pouco da métrica de redigir minhas linhas.
 É como imagino que deva ser a sensação de ganhar sozinho na loteria, só pode ser isso que me leva a escrever esta noite. Nunca fui muito otimista, realista talvez. Vivi belos momentos, fases ruins. Perdi pessoas importantes, conheci outras que não deveria. Estive e deixei lugares que tive saudades. Senti paixões mesmo sem saber se despertei alguma. Escrevi palavras vazias e outras cheias de sentimentos.
 Não acredito em recompensas, destino, premonições ou qualquer coisa do tipo. Vou vivendo um dia de cada vez sem muitos planos, tentando tirar o melhor de cada um deles com a convicção de que preciso apenas acordar para continuar vivendo.
 Porém a esta altura onde nem de longe sonhava em ainda me surpreender com algo ou alguém, surge uma grata surpresa, daquelas que faz a gente se sentir como se tivesse recebido o universo todo de presente. Coisas que só imaginamos serem possíveis nos nossos filmes preferidos ou nas letras de nossas canções favoritas. Acontecimentos antes somente imaginados pelos nossos autores de cabeceira. De repente nos damos conta que está acontecendo conosco e dentro de nossas cabeças nos questionamos se merecemos tamanho regalo da vida.
 Horas que passam em segundos, sorrisos que se tornam mais belos que qualquer obra de arte, bobagens que soam como sonetos e olhares dizem mais que qualquer discurso. Os piores problemas se tornam insignificantes, preocupações não superam a vontade e até mesmo problemas salutares momentaneamente são sanados.
 Não sei como denominar essa sensação, não consigo chegar a um nome, pois a mistura de sentimentos bons é muito grande. Prazer, admiração, carinho, atração e até mesmo devoção fazem de tudo isso quase uma patologia que ao invés de fazer mal, te devolve a vida que havia se perdido. Uma doença que não te machuca e sim te acalenta quando você acha que jamais será abraçado de novo. Um vírus que não te suga, mas que te fortalece e te faz pensar que é invencível. Uma loucura que não te rouba os sentidos, mas te faz pensar que ainda pode se tornar o que sempre sonhou.
 Chega simples com uma brisa e logo se torna um tornado de belas lembranças de onde não se quer jamais sair. Um nome de apenas três letras capaz de aos meus ouvidos se compararem a uma perfeita sinfonia.
 Continuo com as minhas convicções, vivendo um dia de cada vez e não precisando de nada além das minhas forças, mas não posso negar que daqui pra frente mesmo que não seja uma necessidade, é uma vontade quase incontrolável de ser brindado com essa presença. Uma presença que pode permanecer calada e imóvel, mas que pelo simples fato de estar lá já me faz acreditar que vale apena continuar. Até porque foi assim, sem muito alarde, que esse mesmo pássaro da cor da noite me resgatou quando eu estava prestes a desistir.

terça-feira, 12 de julho de 2011

13 DE JULHO

 Poucos sabem como começou e na realidade não se sabe ao certo. Anos 40, 50 ou 60. Tanto faz. Isso não importa agora.  O que importa que ainda continua muito vivo apesar de ter sua morte anunciada várias e várias vezes ao longo dos séculos.
 Vários sentimentos vêm à tona quando temos contato com ele. Rebeldia, amor, paixão, revolta, tristeza, felicidade e mais um turbilhão de emoções são provocados a todo o momento quando ele está presente. Ele tem o dom de tocar a alma e transformar para sempre a vida de quem o conhece. Poucas vezes foi traído e quando isso aconteceu, foi por pessoas que não mereciam sequer terem tomado conhecimento de sua existência.
 Ele já foi o maioral, hoje em dia é démodé. Já foi o terror das famílias de bem e continua o sendo. Ele já foi responsável por várias histórias de amor, atualmente participa só das mais interessantes.
 E o porquê dele ser assim? Tão apaixonante, intenso, capaz de proporcionar uma infinita gama de sensações aos que tem a sorte de lhe serem íntimos? Só experimentando para saber. É tão inexplicável quanto prazeroso, afinal suas múltiplas facetas encantam logo de cara e te dão a convicção que durará eternamente.
 Nenhum outro jamais fará frente a ele, nem de perto conseguirá repetir seus feitos. Ele é mais velho, mais experiente, mais sedutor e mais verdadeiro que qualquer outro. Ele forma opiniões, dita tendência, faz os que o seguem acreditarem que podem ser o que quiserem. Ele pode ser simples, complexo, rude, apaixonado, agressivo ou suave. É isso que o torna único e faz seus fiéis amantes serem o que ele quiser até o fim da vida.
 Isso é o Rock N’ Roll, o som que muitos desafortunados pensam estar ultrapassado. Nós somos rockers e não estamos nem um pouco preocupados com isso, por que sabemos que será infinito independente de qualquer coisa. Somos capazes de transcender o mais longínquo limite para continuarmos com ele, sempre com a certeza de que enquanto existir um garoto tentando dedilhar uma guitarra e sonhando em ser John, Paul, Keith, Clapton, Iggy, Randy ou qualquer outro, tudo continuará bem. Feliz 13 de julho a todos nós que somos movidos a liberdade, embalados a riffs e entorpecidos por Rock.

terça-feira, 5 de julho de 2011

SAUDADE

Saudade é um sentimento
Bom e ruim de sentir
Que às vezes é um tormento
E em outras me faz sorrir
E que neste exato momento
É o que me faz existir

Saudade me traz lembranças
Que deixam os olhos marejados
Que amenizam as distâncias
E me devolvem ao passado
Que confortam minha ânsia
De lembrar sem ser lembrado

Saudade me faz odiar
O que vivo no presente
E me faz querer gritar
P’ros meus amores recentes
Que desisti de encontrar
Os risos que andam ausentes

Saudade me faz pensar
No que deixei pela vida
Em noites pra recordar
Com alguns goles de bebida
Em pessoas de um lugar
Que deixei na despedida

Saudade me faz querer
E até mesmo acreditar
Que eu possa renascer
E conseguir retornar
Às coisas do meu viver
Que eu tive que deixar

Saudade pode ferir
E trazer felicidade
Saudade pode mentir
Mesmo dizendo a verdade
Não tem como definir
Saudade é apenas saudade

segunda-feira, 27 de junho de 2011

PESSOAS E ESCOLHAS

 A imensidão de tipos diferentes de pessoas que precisamos conviver ao longo da vida é uma conta praticamente infinita. Infelizmente nem todas são do jeito que gostaríamos que fossem. E isso começa cedo, afinal não podemos escolher nossos pais ou irmãos e muito menos interferir na sua forma de pensar.
 Depois vem a escola onde temos que conviver com colegas de todas as espécies, famílias e criações diferentes onde muitas vezes temos que esforçar-nos muito para uma convivência no mínimo pacífica. E a vida continua seguindo, vem a faculdade, o trabalho, você vai morar sozinho e cada dia que passa se vê cercado de gente que no fundo você desejaria jamais ter conhecido em grande parte das vezes. Colegas e vizinhos que gostam de música brega, filmes óbvios, literatura barata e que não entendem 90 por cento do que você diz ou pensa.
Mais tarde aparecem tipos que querem que você se converta, use as roupas da moda, falam que você tem que parar de fumar, condenam seus porres, pedem para você não ser tão sincero e que já não tem mais idade para vídeo-game. Fora que chega uma hora que sua própria família te cobra um bom emprego, casa própria, casamento e filhos, te comparando a um primo mais velho ou até mesmo ao filho de alguma vizinha.
 Isso sempre acontece com todos, independente de gostos ou opiniões. Dia após dia somos obrigados a conviver e em muitas ocasiões a engolir pessoas que não nos acrescentam em nada, pior, ficam cobrando o tempo todo comportamentos que não condizem com nossa natureza. A pergunta é: por que tolerar? Pra que se submeter a isso? Tem alguma razão?
 Tem sim. Esses indivíduos vazios servem pra alguma coisa mais, além de nos chatear. Servem de parâmetro para que possamos dar o devido valor às pessoas que infelizmente raras vezes cruzam nossa existência. Pessoas que compartilham de gostos, idéias e pensamentos semelhantes aos nossos. Pessoas que fazem valer a pena acordar todo dia. Pessoas que fazem parar o tempo pelo simples fato de estar ao nosso lado, mesmo que fiquem caladas.
 São esses raros momentos que fazem a vida ter um motivo. As pessoas que escolhemos se tornam mais especiais ainda, quando comparadas as que nos são impostas e se nós fizermos uma conta, existe uma para mil numa proporção aproximada. Então se você pensar nisso, passe a valorizar ainda mais as pessoas que gosta de ter por perto, seja qual for sua relação com elas, por que simplesmente elas são seu oásis de bons momentos encravados num deserto de superficialidade. Elas são sua gota de lealdade num oceano de máscaras. Elas também podem ser a estrela cadente que irá atender seus pedidos num universo de falsas promessas.

terça-feira, 21 de junho de 2011

LEMBRANDO ANGÚSTIA E SOLIDÃO

A lua estava tão bela
Quando ele chorou
Por um minuto se descontrolou
E ao olhar a janela
Ele se lembrou
Dos velhos tempos ao lado do seu amor.

Lembrando, palavras e juras
Lembrando, da doce ternura
Lembrando aquela que o enfeitiçou.

Ela não o quer
E lhe abandonou
No ar estão seus pés, perdido no escuro
Ele quer entender
Por que tudo acabou
O que foi que ele fez que mudou seu futuro.

Solidão, só um pensamento
Solidão, que fere por dentro
Solidão, que o impede de sorrir.

Não consegue voltar
Das sombras do passado
Ela não vai voltar se ele ficar parado
Mas não vai adiantar
Se ele feito tolo
For a procurar pra sofrer de novo.

Angústia, sem o que fazer
Angústia, pressa de morrer
Angústia, talvez seja melhor o fim.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

ALIMENTO = AGONIA

Era simplesmente por prazer que eu fazia aquilo tudo e farei de novo se me deixarem. Foi pelo meu instinto, minha vontade e minha necessidade que eu fiz, não foi nada demais e também não é responsabilidade de mais ninguém, só minha.
 Sempre fui fascinado pelo desespero alheio. Olhos parados cheios de medo, angústia e terror são extremamente prazerosos para mim. Gritos, urros e sensação de impotência me dão aquela doce idéia de ser o dono da situação, de ser o deus daquele ser ao menos por àquelas horas e isso não tem preço.
 Lembro-me da primeira vez que tive coragem de saciar o meu vício. Deveria ter uns 16 anos e realmente detestava aquela filha de uma vizinha. Estudei sua rotina por uma semana e descobri que ao voltar da escola ela atalhava por um bosque que havia no meu bairro. Era inverno, eu estava de jaqueta e foi fácil esconder uma faca de cozinha com uma corda que peguei na garagem. Esperei por mais ou menos uma hora e quando ela saiu, a segui em média distância. Quando ele entrou no bosque eu corri, ela me viu e ficou sem entender. Comecei com um soco, ela caiu, chutei sua face e ela ficou desacordada. Amarrei-a bem forte com a corda, amordacei-a e me certifiquei que não havia ninguém por perto.
 Estava fácil, mas precisava acordá-la, senão não haveria por que. Afinal o que me saciava era o olhar desesperado da vítima. Bati com força em seu rosto e ela despertou. Mostrei a faca, ela tentou gritar me causando uma euforia inexplicável. Comecei pelo pescoço, a faca corria, o sangue escorria e a sensação era surpreendente. Ela se debatia me encarando como se perguntasse a razão, o que ela teria feito para terminar daquele jeito. Não havia motivo, apenas minha vontade, minha necessidade de agonia alheia e só. Infelizmente ela rapidamente sucumbiu aos ferimentos, o que me deixou claro que precisava praticar para tirar o máximo de êxtase daquele ritual particular.
 Pelo fato de nunca terem desconfiado, achei que deveria seguir satisfazendo meu vício e vieram mais vítimas. Sempre demorando mais e mais, cada vez com mais dor, conseqüentemente aumentando meu deleite a cada nova empreitada.
 Ficou perigoso, as pessoas estavam com medo, fazendo perguntas. Tive que ir pra outra cidade, arrumei um emprego e não levantava suspeitas. Já tinha matado umas 10 pessoas de todos os tipos, mas sempre com uma faca. Aprendi cortes que as faziam sangrarem por muito tempo até morrerem para que eu pudesse me alimentar daquela incrível sensação de prazer.
 Eu não escondia os corpos, não temia que me descobrissem. Não me importava com nada além daqueles momentos de ser o algoz e ao mesmo tempo a única esperança daqueles pobres infelizes. Eu e minha faca, só isso me dava razão para existir. Só dessa maneira conseguia me sentir útil, privando o resto do mundo de pessoas sem alma, sem conteúdo. Eu só matava pessoas que eu julgava que não fariam falta a ninguém e isso me satisfazia mais ainda.
 Hoje em dia, me trancaram sozinho. Nessa cela que habito há vários anos, a vontade continua viva. Se um dia eu sair, vou voltar a alimentar-me do que realmente me importa: o desespero da agonia alheia. Não sou louco, jamais faria nada de mal a alguém que me importasse, porém, todos têm seus vícios e o meu é esse. Mato por mim, por mais ninguém, não é nada pessoal e isso é verdade. Minhas vítimas me realizam e acho que pelo menos na hora da morte puderam fazer alguém feliz, o homem de faca na mão, extasiado com seus últimos momentos e entorpecido com o cheiro do seu sangue. 

segunda-feira, 6 de junho de 2011

METADES

O que de verdade te chama atenção? Você se já deve ter se perguntado isso umas mil vezes ao longo da vida, mas será que já conseguiu chegar a alguma conclusão? Provavelmente não, mas isso é mais normal do que pensamos. Afinal, as prioridades, as preferências e até mesmo as coisas que despertam admiração estão em constante mutação ao longo do tempo.
 A busca por referências começa cedo, sempre temos a necessidade de sermos aceitos de alguma forma por alguém, por algum grupo e na maioria das vezes esquecemos-nos de procurar a nossa própria aprovação que é de certa forma a mais difícil de conseguir.
 Erroneamente, temos o costume de nos preocuparmos primeiro com a opinião alheia, antes mesmo de nos perguntarmos o que achamos sobre nós mesmos, pois a sociedade é historicamente a principal juíza dos das ditas pessoas de bem.
 Se recordarmos a época de colégio, quem nunca quis fazer parte do grupo de todos aqueles que eram convidados para as festinhas de sábado à noite? Quem nunca se preocupou em se vestir de maneira que os mais bonitos e descolados notassem a nossa humilde presença? Quem nunca sonhou em ser “o cara” do colégio? Atire a primeira pedra quem nunca teve essas aspirações.
 Mas o melhor da vida é que crescemos e olhando pra trás percebemos o quanto era superficial aquela coisa toda. Éramos tolos, imaturos e influenciáveis, porém a oportunidade de nos libertarmos aparece para todos e quem tem a sorte de percebê-la e conseqüentemente aproveitá-la, torna-se naturalmente um ser humano único, que passa a se importar consigo mesmo e enfim torna-se verdadeiramente interessante para as pessoas que realmente importam, que consigam notar a pura essência de outra alma.
 E essas criaturas quando aprecem em nossas vidas, são costumeiramente chamadas de metades. Reza a lenda que todos têm uma, até mesmo mais de uma. Eu já devo ter cruzado com algumas minhas pelos bares da minha conturbada passagem pela existência e espero que um dia alguma, não apenas se encaixe perfeitamente, mas permaneça encaixada, como uma boa metade deve fazer. Enquanto isso eu continuo tentando achar uma peça, sem pressa, porque metades acabam sempre se encontrando, mas ás vezes o encaixe demora um tempo maior, mas nada que faça valer menos à pena.
 Se você está em busca da sua, somente quando se livrar das algemas, dos dogmas e das imposições conseguirá encontrá-la, afinal sem verdade de gestos, jamais ninguém saberá seu verdadeiro encaixe. 

segunda-feira, 30 de maio de 2011

EU SOU AQUELE


Eu sou aquele de outros tempos

De gostos bem diferentes
De eternos bons momentos
Em que sorrisos simplesmente
Inspiravam sentimentos
Sinceros de suas vertentes.

Eu sou aquele que cresceu sem despertar
Grandes notícias ou esperanças
Mas que teimava em esperar
Mesmo em tempos de criança
Algo pra poder contemplar
Cessando com as desconfianças.

Eu sou aquele que nunca se contentou
Com as coisas que me diziam
O que sempre questionou
Os porquês que existiam
E que muitas vezes chorou
Enquanto todos sorriam.

Eu sou aquele que existe
Num mundo que é só meu
Parecendo ás vezes triste
Por algo que aconteceu
Que há muito tempo insiste
Em viver o que aprendeu.

Eu sou aquele sem vida
Que se vicia em canções
Que a cada despedida
Guarda vários corações
Pra que sirvam de guarida
A tantas recordações.

Eu sou aquele de verdade
Que gosta sem esperar nada
Que usa a sinceridade
Pra guiar sua jornada
E só tem intimidade
Com palavras rabiscadas.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

DOIS OLHOS

Em mais um dia banal
Sem nada de diferente
Várias faces, tudo igual
Mas em meio a tanta gente
Tinha um olhar memorial
De beleza surpreendente.


Ao avistar esse olhar
De olhos verdes brilhantes
Passei a me perguntar
Como pude não ver antes
Essa cor que lembra o mar
E inspira sonhos distantes.


 São dois olhos que me fazem
Esquecer os meus problemas
Dois olhos que são capazes
De resolver meus dilemas
Inspirando versos, frases
Belas palavras e poemas.


Dois olhos que são presentes
Dados pela natureza
Que ás vezes são inocentes
E até cheios de pureza
Que mesmo estando ausentes
Brindam-me com sua beleza.


Se um dia eu puder ter
A beleza desse olhar
Para quando eu quiser ver
E com ele me encantar
Só o que posso prometer
É jamais o fazer chorar.


Dois olhos que são mistérios
Que eu queria descobrir
Que mesmo quando estão sérios
Desafiam-me a sorrir
Eu conquistaria impérios
Pra não deixá-los partir.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

TRÊS VIDAS

Um texto com esse título poderia falar sobre tudo menos sobre relacionamentos, certo?
Errado! Esse título tem tudo a ver com relações, sobretudo as afetivas. Porque amizades, namoros, noivados e até mesmo casamentos tem que ser baseados nesse conceito para que façam bem aos envolvidos.
 Vários relacionamentos sucumbem pelo fato de alguns desejarem viver a vida dos seus parceiros, de outros tantos desejarem que o parceiro viva a sua vida e de muitos acharem que só existe vida quando estão juntos dos seus escolhidos. Esse tipo de atitude faz com que qualquer casal caia na desconfiança quando um resolve que precisa respirar de vez em quando e na esmagadora maioria das vezes, acaba com aquilo que ambos pensavam que perduraria por todo o sempre.
 Existem tipos que para agradar a quem desejam ter por perto, simplesmente ignoram todas as suas convicções, preferindo moldar-se de acordo com o modelo ideal imaginado pelo outro. Eficaz pode até ser, mas será que nesse parceiro dos sonhos estaria incluso a falta de personalidade? O quanto é gratificante ficar com alguém que não nos conhece de verdade? Mais um exemplo de relação que não será duradoura e o que é pior, enquanto durar será uma tortura para ambas as partes. Para um, por ter que esconder-se atrás de um personagem e para outro por achar que gosta de um.
 Há também os casos de gente que acha que adquiriu título de propriedade de seu eleito. Simplesmente eles acham que a felicidade se resume em fazer com que o outro apague tudo que viveu antes de conhecê-los. Amigos, lembranças, paixões e tudo o mais, automaticamente deixam de existir para que a relação possa dar certo. Não dá certo, pois quem tem o mínimo de amor próprio jamais se submeteria a tamanha ignorância e deixaria essa cilada, afinal quem conquista de verdade não precisa colocar amarras.
 Outro erro bastante comum é o de transmitir a outra pessoa uma responsabilidade que é só nossa: fazermos-nos felizes. As pessoas têm que aprender de uma vez por todas que elas são as únicas responsáveis pela sua própria felicidade. Ninguém tem obrigação de nos tornar pessoas realizadas. Chega a ser até cruel jogar esse fardo nas costas de quem quer que seja, pois o fato de querermos estar com alguém não a torna responsável pelos nossos sucessos ou fracassos. Temos que pensar em nós até mesmo quando queremos agradar a quem gostamos. Temos que pensar em quanto nos fará bem arrancar um sorriso de alguém que nos é querido quando fizermos algo que realmente importe a essa pessoa.
 Quanto ao título do texto? Três vidas é o que precisamos. A nossa, a de quem escolhemos e a que viveremos ao lado dessa pessoa. Porque se você não tiver a sua vida, não terá nada a ensinar. Porque se sua metade também não a tiver, você nada aprenderá. É isso que vale pena nas relações, gostos iguais e diferentes. Opiniões ora compartilhadas, ora distintas. Momentos juntos intercalando ás vezes com cada um na sua. Se vai durar pra sempre? Não sei, mas enquanto durar será muito mais prazeroso para todos.

terça-feira, 17 de maio de 2011

MELHOR NÃO TÊ-LOS?

 Grande parte das pessoas um dia já amaldiçoou o fato deles existirem. Independente de serem bons ou maus, de trazerem alegrias ou as mais aterradoras frustrações e até mesmo de guiarem seus destinos num impulso incontrolável.
 A grande verdade é que eles regem o que chamamos de vida e sem eles seríamos literalmente vegetais ao invés de seres humanos. Os sentimentos são os grandes maestros da orquestra particular de cada um de nós. Amáveis, perversos, arrebatadores, leves, intensos, maléficos ou edificantes eles são os responsáveis pelas nossas ações em relação a tudo, principalmente aos outros.
 Existem aqueles que preferem negá-los, outros que os assumem e mesmo tantos que simplesmente tentam ignorá-los, mas é em vão. Isso é impossível.
 Se você ignora uma a existência de alguém, sente desprezo. Se contar os minutos para pelo menos se deparar com um sorriso, sente amor. Se não vê a hora de grudar seu corpo em outro, sente desejo. Se quiser ser brindado com a notícia da morte de alguém, sente ódio.
 Eu sinto, tu sentes, ele sente... Todos nós sentimos algo em relação a qualquer coisa ou qualquer pessoa que travamos o mínimo de contato. Então tenhamos consciência que por mais sombrios que sejam os nossos, eles ainda assim são sentimentos. Fazem-nos sorrir, chorar, matar, morrer e muito mais. O mais importante é que eles são essenciais para fazer-nos viver e isso já uma grande façanha.
 Melhor não tê-los? Nunca. Sem eles simplesmente inexistimos e não seríamos capazes de experimentarmos. Existem pessoas que não os possuem? Sim, e podem ser encontradas aos milhares, em baixo de sete palmos em qualquer cemitério.

terça-feira, 10 de maio de 2011

MORTAL FASCINAÇÃO

Ela já foi descrita de várias formas, já foi imaginada a exaustão pela maioria dos seres humanos e ainda assim causa certa estranheza quando é mencionada mais explicitamente. Certamente pelo fato de ser uma certeza inevitável, um fato consumado antes mesmo de acontecer.
 A verdade é que a morte sempre foi assunto recorrente na mente da humanidade. Inspira músicos, escritores, pintores e pessoas comuns. Quem nunca imaginou como seria do outro lado? Perguntou-se se há outro lado?
 Alguns se vangloriam por a terem desafiado, outros por a terem visto de perto e até mesmo há os que pensam que a derrotaram. Mera ilusão, afinal a morte apenas adia a sua vitória.
 A morte tem o poder de fascinar aterrorizando, perseguir seduzindo, encantar atormentando e no fim abraçar-nos findando nossa existência. Simples assim, sem volta, sem recuo, sem outra escolha possível.
 Para alguns ela chega rápida, surpreendente e num piscar de olhos, sem mesmo dar tempo de reação, domina sem chance de nem mesmo um suspiro. Para outros, ela se mostra paciente, como em um longo flerte, uma longa tentativa de conquista, uma longa dança de rosto colado e enfim ela decide soprar nos ouvidos do seu escolhido sua sinfonia, sua marcha vitoriosa que exala um perfume de triunfo.
 Para alguns a morte é um antídoto, que faz os impacientes se cansarem de esperar e irem por vontade própria ao seu encontro. Para outros é um merecido descanso após uma longa jornada de desencontros. Existem aqueles que querem distância de sua sombra e tantos outros que somente após encontrá-la conseguem provar alguma glória.
 De tantas formas, vários modos, porém a nossa única certeza é que nosso encontro com ela está marcado. Preparados ou não, esse compromisso é o único que podemos chamar de inadiável.

terça-feira, 3 de maio de 2011

APENAS SINTOMAS

Querer que o mundo se exploda quando se acorda, achar que talvez se morrêssemos amanhã estaríamos fazendo um favor a humanidade ou achar que as ignorâncias do mundo se tornam mais importantes do que as coisas que realmente valem a pena são sintomas de que as coisas aconteceram ao contrário do que se esperava.
 Não querer sair do quarto por absolutamente nenhum motivo, sentir um misto de angústia e raiva quando se visualiza cenas de felicidade alheia ou ter que se esforçar para não ter que provar o gosto salgado das próprias lágrimas quando se recorda de certos momentos são sintomas de que doeu muito mais do que se esperava.
 Se perguntar sem entender o porquê do acontecido, pensar por horas a fio sem se chegar à conclusão alguma de quais foram os seus erros ou ter certeza de suas boas intenções são sintomas de que poderia muito ter dado certo.
 Esboçar um começo de sorriso ao ouvir músicas que trazem lembranças, perceber que ainda pode contar com seus amigos ou concentrar-se na idéia de que se fez tudo o que estava ao alcance são sintomas de que nem tudo está perdido.
  Não alimentar desejo de vingança, torcer para que tudo esteja bem ou ainda assim admirar todas as nuances com carinho são sintomas de que se gosta de verdade.
 Vivemos de sintomas dia após dia, situações inesperadas nos fazem experimentar várias sensações que nos guiam a caminho da plena recuperação, contudo, para alguns sintomas, infelizmente cabe a outra pessoa nos trazer a cura e o que nos resta é esperar.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

EU ME VENDO?


 Será que eu me vendo? Pra não enxergar os resquícios que você deixou na minha maneira de ser. Ou será que eu me vendo? Pra quem sabe você comprar a idéia de quanto nos fazíamos bem.
 Será que eu me vendo? Pra ficar cego a respeito dos motivos que me fazem sentir saudades tuas. Ou eu me vendo? Pra te convencer que vale a pena matarmos essas saudades.
 Será que eu me vendo? E te digo que seus piores defeitos me interessam mais que as maiores qualidades das outras pessoas. Ou eu me vendo? Pra não conseguir ver o quanto faz falta um simples bate-papo contigo.
 Me vendo? E tento recuperar o tempo que imaginei passar te olhando. Ou me vendo? E simplesmente desisto de visualizar todas as possibilidades de compartilhar bons instantes.
 Entre me vender e me vendar existe um pequeno limite, uma tênue linha em que nesse exato momento me encontro, sem saber que rumo tomar. Porque os argumentos que tenho pra vender são tão bons quanto os pra me vendar. Basta decidir o que vale a mais pena. Vendar-me, vender-me ou até mesmo desvendar-me, são os dilemas de quem aprendeu a conviver com a solidão, mas que ás vezes puxa um pouco da venda para espiar como seria a vida se ás vezes, nem que seja por um breve espaço de tempo, eu pudesse enxergar alguém além de mim mesmo

terça-feira, 19 de abril de 2011

SÍNDROME DE RICKY LINDERMAN

Seres humanos também são separados em espécies. Há uma seleção natural, que geralmente começa cedo, na sua vida escolar para ser mais exato. Existem vários grupos na sua escola e você sempre quer pertencer a um deles.
 Comigo foi diferente, não pelo fato de eu não querer fazer parte de algum grupo, mas pelo fato de nunca ter conseguido isso. Sempre fui isolado, nem vítima de bullying eu fui, simplesmente ficava lá atrás e só.
 Não me queixo por isso, afinal justamente esse isolamento me fez uma pessoa questionadora e extremamente viciada em música, filmes, games e livros. Porém, na medida em que se torna mais culto, seu filtro para relações aumenta em igual proporção. Pessoas comuns e conversas fúteis já não são suficientes e quando se tem 13 anos é como s fosse uma condenação á solitária da vida sócio-colegial.
 E depois de adulto, com a possibilidade de consumir mais cultura e com as facilidades da Internet, o filtro continua aumentando, a ponto de nutrirmos sentimentos por pessoas pela simples razão delas terem um gosto musical parecido ou adorarem o Tarantino.
 Parece loucura? Não parece, é loucura! Não que seja loucura você se interessar afetivamente por alguém compatível intelectualmente, a loucura está no fato de existirem pouquíssimas pessoas que se preocupam com isso, resultando na solidão de pessoas cultas. O que era pra te aproximar das pessoas, acaba te segregando porque infelizmente a maioria das pessoas não faz bom uso das maravilhas tecnológicas para a absorção de conteúdo. Na minha época não tinha Internet, TV a cabo ou download. Tinha que se correr atrás. Hoje com tudo isso, pessoas só usam a Internet para ver recados do Orkut, sites de fofocas e ver quem saiu no BBB. É pouquíssimo para a infinidade de informação útil que tem na rede.
 Então não me surpreende quando alguém estranha o fato de eu me interessar pessoas que não usam as marcas da moda, o tênis do momento e a balada da galera. O que me surpreende é quando consigo me interessar por alguém, pois pessoas dessa espécie estão cada vez mais raras, condenando-me a eterna Síndrome de Ricky Linderman.
 Quem é Ricky Linderman? É o personagem interpretado por Adam Baldwin (foto) no filme “Cuidado Com O Meu Guarda-Costas” de 1980, um garoto que vivia sozinho no colégio. Pelo fato dele ser diferente, todos acreditavam que ele era um assassino e ninguém falava com ele. Gosto desse filme e me identifico com o personagem, por isso esse isolamento natural recebeu esse nome.
 Espero que os Rckys Lindemans do mundo, homens e mulheres, acabem se encontrando em algum momento da vida, para aliviarem ou até mesmo curarem suas síndromes.

terça-feira, 12 de abril de 2011

PALAVRAS

 Não, não vou reescrever a tradução de uma velha canção do Bee Gees. Vou escrever sobre algo que muitos dizem que domino, mas que na verdade me domina a ponto de fazer-me perder noites de sono, proximidade com a realidade e ás vezes me afasta de todos. Vou escrever sobre palavras.
 Na maioria das vezes é necessário isolar-se do mundo para poder entendê-las, compreender seu poder e mergulhar no fascínio que elas exercem sobre nós, que não seríamos nada além de pobres corpos sem alma se elas não existissem.
 Você já se perguntou se tudo que lhe foi dito ou escrito até hoje fez alguma diferença? Ou melhor, já se perguntou se tudo o que disse ou escreveu para alguém realmente fez diferença? Pode apostar que sim, palavras são regalos especiais, que se tornam inesquecíveis para aqueles que as valorizam.
 Então comece a pensar no que as suas palavras são capazes de fazer para as pessoas que verdadeiramente importam para você, porque palavras são presentes, que mesmo que não forem de sua autoria, você pode dar. Palavras podem apoiar, conquistar ou consolar. Podem te fazer herói, vilão ou amante de alguém. Podem ser doces, amargas ou apaixonantes. Palavras podem ser tudo que você quiser que sejam.
 E o melhor de tudo isso, é que quando você recebe palavras de alguém, pode interpretá-las do seu modo, escolhendo assim o impacto que elas irão lhe causar e quando você as oferece, se souber usá-las, pode proporcionar momentos incomparáveis a quem tem a sorte de merecê-las.

domingo, 10 de abril de 2011

O REJEITADO

Celma era uma jovem de 16 anos que descobriu que estava grávida e tão logo soube da notícia foi contar e Edson, seu namorado. Edson berrou com Celma, dizendo que aquilo era um golpe e que não iria assumir a criança. Desolada, Celma volta para casa e conta o acontecido aos pais, que sem pensar duas vezes a expulsam de casa somente com a roupa do corpo. Edson já estava longe.
Celma vai para as ruas , onde tem que disputar espaço com mendigos e prostitutas, sendo enxotada e ofendida a cada esquina.
O tempo passa e numa noite chuvosa Celma sente as primeiras contrações , pede ajuda para ir ao hospital pois sente que irá dar a luz nas próximas horas, porém roda a cidade toda sozinha em busca de um leito, que é negado em todos centros de saúde possíveis. Celma dá a luz na rua mesmo, em um beco escuro e quando ouve o choro do menino, o abandona em uma caixa de papelão.
O menino é encontrado e levado ao orfanato público, onde é batizado com o nome de João e ficaria ali até alguém decidir adotá-lo.
Os anos correm e João não desperta interesse de nenhuma família, talvez pelo fato de ser magro e de cor parda, enquanto muitos iam , João ficava.
As outras crianças não gostavam de João e o garoto crescia solitário, sendo excluído das brincadeiras dos outros. João ia crescendo um garoto triste e sem interesse em conviver com outras pessoas.
Com 15 anos João conheceu sua primeira paixão, uma menina que estudava no mesmo colégio, que tinha o nome de Simone. João ensaiava muito para o dia que tomasse coragem de falar com ela, pois sabia que esse dia chegaria.
Perto do baile de fim de ano do colégio, João finalmente se decidiu e convidou Simone para acompanhá-lo, cheio de esperança nos olhos e com um bombom em forma de rosa que havia roubado em algum lugar. Simone conseguiu ser a pessoa mais cruel do mundo, pois berrava que jamais seria acompanhada por um garoto sem família, feio e pobre. Jogou o bombom no chão, pisou e mandou que João nunca mais dirigisse a palavra à ela. João chorou por uns três dias, mas decidiu não falar mais com a garota de quem tento gostava.
Aos 18 anos, João teve que deixar o orfanato onde viveu até então, pois como já era maior de idade não poderia mais ficar ali e teria que arrumar trabalho para se manter. João saía cedo e voltava tarde e ninguém o chamava nem sequer para uma entrevista. João teve que ir pra rua.
Depois de um certo tempo morando embaixo de viadutos e marquises, João se encheu. Estava cansado da vida que levara até agora. Procurou um prédio, o mais alto que encontrou, e subiu as escadas até o topo. Lá em cima, João pensou na sua jornada de rejeições e se perguntou por que não recebeu uma chance sequer da vida.
Sem pensar muito João atirou-se e caiu de cabeça no asfalto. João teve morte cerebral e como tinha tirado documentos no orfanato onde viveu, seus órgãos seriam doados. Após a retirada dos órgãos, João foi enterrado como indigente, já que não tinha família sua última morada seria uma cova pública, sem lápide mesmo.
Num hospital longe dali, um senhor de 45 anos aguardava um transplante de coração ansiosamente, pois já estava nas últimas. A família vibrou quando o médico deu a notícia que chegava de outra cidade o coração tão esperado. Era o coração de João.
O transplante aconteceu após alguns exames e foi considerado um sucesso. Porém uma semana depois, o senhor que tanto esperou por aquele coração, faleceu. O organismo do senhor não aceitou aquele coração e o levou a morte. João que havia morrido alguns dias antes, não pôde ver sua última rejeição.

REOPEN

O Peter's Pub está reaberto. Na verdade estou atendendo aos pedidos de algumas pessoas para que eu retomasse o blog. Mantive somente os posts mais recentes, mudei o logotipo e o reativo oficialmente a partir de hoje. Escreverei da mesma forma de sempre e sobre vários assuntos. Música, cinema, loucuras da minha cabeça e várias outras coisas. Não prometerei uma freqüência certa, mas atualizarei diversas vezes.
Bom é isso então, fica combinado assim: eu escrevo e vocês lêem. Até a próxima.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

ÁS VEZES EU ESCREVO


Sim, ás vezes eu escrevo, mesmo sem motivo, mesmo sem nada de especial, mesmo sem algo ter acontecido. Isso acontece naturalmente, as palavras surgem com aquela ânsia de sair da minha mente e ganhar vida em textos muitas vezes desconexos e sem sentido.

Ás vezes eu me pergunto o porquê disso e sinceramente não sei a resposta. Não sei nem se tenho talento para a literatura e no fundo me acho um autodidata metido à cronista, porém é mais forte que qualquer autocrítica, eu simplesmente escrevo.

Não tenho a ambição de que minhas palavras façam sentido para alguém, porque nem eu as entendo na maioria das vezes, mas isso não é barreira porque mesmo assim eu ainda escrevo.

As pessoas fazem diversas coisas para expressarem o que sentem, dançam, cantam, choram, gritam e eu escrevo. Outras pintam, compõem, declaram seu amor, se martirizam e eu apenas escrevo.

Mesmo palavras vazias ou frases simples saciam essa vontade, que parece ser maior nas próprias palavras do que em mim, o que me faz perguntar: quem é o autor de quem?

Perguntas sem resposta, sentimentos ocultos, rabiscos inexpressivos embalados em canções tão obscuras quanto a minha própria inspiração, mas o que me consola é que mesmo com tudo isso, ás vezes eu escrevo.

Peter Jaques

quinta-feira, 31 de março de 2011

AUSÊNCIAS


Sempre foi do mesmo jeito, por que hoje seria diferente?

Elas sempre estiveram em maior número, quase dez vezes mais. As ausências se tornam constantes na vida de quem escolhe viver sem máscaras, talvez porque sem máscaras não possamos agradar a todos, não possamos ser de outro jeito senão de verdade.

Há tempos venho me acostumando com presenças rápidas e intensas que repentinamente se transformam em ausências constantes e saudosas, ás vezes doloridas, que transformam a frieza cotidiana em um choramingo silencioso que apenas ecoa no fundo das minhas lembranças de tempos que desejo ter de volta, nem que seja por mais um segundo.

Existem pessoas que estão lá por anos e não fazem diferença e outras que em poucos dias são capazes de condenar-nos a uma eterna nostalgia quando se vão. Penso no que poderia ter feito. Se tivesse dito, confessado, se não segurasse a lágrima que teimava em querer escorrer. Seria diferente? Talvez, mas prefiro curar as feridas a tentar evitá-las, pois se fracassar na tentativa, as feridas podem se tornar incuráveis ou até mesmo letais.

Continuo de pé, cicatrizando e vivendo dia após outro, ciente que ausências sentidas podem entristecer de vez em quando, mas são muito mais valiosas que presenças que não se fazem notáveis.