sábado, 24 de setembro de 2011

ONDE TODOS SABEM MEU NOME

Sozinho com pensamentos, sem nada pra fazer
Conversando intimidades com a solidão
Apesar de tanto tempo, não quero esquecer
E nem deixar minhas lembranças se perderem em vão

Aprisionado em um mundo que não é o meu
Buscando compreender o que se passa a minha frente
Por mais que tente, não me lembro como aconteceu
Como tudo foi ficar tão diferente

Eu sinto falta de todos
Eu sinto falta de tudo
Sinto falta até mesmo de coisas banais
Eu sinto falta das nuvens
Eu sinto falta da chuva
Sinto falta da vida que ficou pra trás

Enquanto isso o escuro vem para ajudar
Vou remoendo memórias seja do que for
E vou fazendo de tudo pro tempo passar
Assim não sobra espaço para sentir dor

De repente é madrugada e estou acordado
Vou recordando bons momentos pra me consolar
Desejando que o futuro me leve ao meu passado
Só assim minhas feridas irão cicatrizar

Eu sinto falta do dia
Eu sinto falta da noite
Sinto falta do barulho enlouquecido
Sinto falta da lua
Sinto falta da rua
Sinto falta até do que já tinha esquecido

Mas existe um lugar
Onde sou capaz de sorrir
Que o tempo deixou
Meio longe daqui
Quando consigo estar lá
Minhas angústias somem
Existe um lugar
Onde todos sabem meu nome

sábado, 3 de setembro de 2011

A FANTÁSTICA FÁBRICA DE LIXO DO RICK


O texto de hoje é pra você que escuta as rádios FM populares e vibra com suas bandas favoritas nos programas de auditório dominicais decadentes do nosso país. Olhe bem a sua volta e procure alguma referência pessoal, a mínima que seja nas canções desses artistas que você pensa gostar tanto. Aposto que não encontrou nenhuma não é mesmo?
 Porque nem mesmo a grande maioria desses “artistas” consegue isso. Infelizmente essas músicas que tocam em rádios ou programas de TV são apenas produtos de consumo para a grande massa. Não tem preocupação artística, são como produção em série de qualquer fábrica que existe por aí.
 Pois é, e o grande magnata dessa indústria no Brasil atende pelo nome de Rick Bonadio. Produtor musical, compositor e jurado de programa de calouros é um dos mais requisitados profissionais nesse segmento em terras brasileiras. Mas isso seria garantia de qualidade? O currículo de trabalhos de Rick mostra que não.
 Há anos Rick vem produzindo e investindo em discos de bandas que pouco ou nada acrescentam no cenário musical brasileiro, bandas que são fabricadas única e exclusivamente para sanar o filão de fãs adolescentes desesperadas por ídolos descartáveis que vestem roupas descoladas e tem talento musical extremamente limitado.
 Por exemplo, Rick é responsável por um grande número de bandas que se dizem “rock”, mas que nada mais são que boys-bands com uma incrível habilidade de envergonhar quem gosta de rock de verdade, como Restart, Hateen, Fresno, NX Zero, CPM22 e Strike. Rick também atacou o filão de improvável rock cristão com discos de qualidade duvidosa das bandas Resgate e Katsbarnea, cujo principal objetivo é engrossar com jovens a grande massa de dizimistas de suas congregações. Isso sem falar em aberrações como Rodolfo e ET, Calypso, Dominó, Dogão, Rouge, Br’oz, LS Jack, Rastaclone. Rick também participou do programa Country Star onde tivemos Nathália e Leovander com músicas que constrangeriam Johnny Cash e também do quadro Olha A Minha Banda onde a principal descoberta foi a fatídica banda Agnela.
 É claro que Rick também fez outros trabalhos, porém o único álbum que eu posso considerar audível do admirável produtor foi o acústico do Ira. Não sei se Sr. Rick Bonadio gosta mesmo dos discos que produz ou se realmente se submete a produzir mediocridades por que precisa se sustentar, também não tenho nada contra a sua pessoa, porque acho sinceramente que deve ser um cara de bem, mas os discos em que trabalhou ao longo da carreira fazem jus ao título do texto. Talvez um dia Rick olhe com a devida importância para bandas como Tomada, Cracker Blues, O Bando Do Velho Jack, Motorocker e várias outras que estão há muito tempo fazendo boa música no país e que por falta de apoio do alto clero da mídia nacional continuam restritas a que realmente vai atrás de bons sons. Espero sinceramente que o Sr. Rick Bonadio um dia feche sua fantástica fábrica de lixo e se torne o Willy Wonka dos verdadeiros talentos da música feita no Brasil.

domingo, 31 de julho de 2011

TRISTE JANEIRO

Meu mundo inteiro desabou
Quando você fechou a porta e disse vai
Tentei entender como tudo acabou
Sobre mim belas estrelas de um triste janeiro

Durante muito tempo eu chorei
Curando uma ferida que aos poucos cicatrizava
Durante muito tempo eu procurei
A paz de longa data que eu esperava

Por quanto tempo vou me torturar
Tentando entender
Meus dias têm se passado em vão
Preciso esquecer, tenho que esquecer

Hoje cedo eu acordei
E decidi não mais chorar
As lágrimas de um triste amor
Que eu sei, não irá mais voltar

Confesso que até pensei
Em tentar te encontrar
Mas a dor dentro do peito
Disse pra deixar pra lá

E quanto tempo eu ainda vou passar
Esperando por você
Para acalmar meu coração
Preciso te entender, tenho que entender.

domingo, 24 de julho de 2011

LIKE A KINDERGARTEN

Sinceramente não sei por onde começar o texto de hoje. São muitas lembranças, nuances, gestos, expressões, palavras canalizadas em um único ponto que me fazem perder um pouco da métrica de redigir minhas linhas.
 É como imagino que deva ser a sensação de ganhar sozinho na loteria, só pode ser isso que me leva a escrever esta noite. Nunca fui muito otimista, realista talvez. Vivi belos momentos, fases ruins. Perdi pessoas importantes, conheci outras que não deveria. Estive e deixei lugares que tive saudades. Senti paixões mesmo sem saber se despertei alguma. Escrevi palavras vazias e outras cheias de sentimentos.
 Não acredito em recompensas, destino, premonições ou qualquer coisa do tipo. Vou vivendo um dia de cada vez sem muitos planos, tentando tirar o melhor de cada um deles com a convicção de que preciso apenas acordar para continuar vivendo.
 Porém a esta altura onde nem de longe sonhava em ainda me surpreender com algo ou alguém, surge uma grata surpresa, daquelas que faz a gente se sentir como se tivesse recebido o universo todo de presente. Coisas que só imaginamos serem possíveis nos nossos filmes preferidos ou nas letras de nossas canções favoritas. Acontecimentos antes somente imaginados pelos nossos autores de cabeceira. De repente nos damos conta que está acontecendo conosco e dentro de nossas cabeças nos questionamos se merecemos tamanho regalo da vida.
 Horas que passam em segundos, sorrisos que se tornam mais belos que qualquer obra de arte, bobagens que soam como sonetos e olhares dizem mais que qualquer discurso. Os piores problemas se tornam insignificantes, preocupações não superam a vontade e até mesmo problemas salutares momentaneamente são sanados.
 Não sei como denominar essa sensação, não consigo chegar a um nome, pois a mistura de sentimentos bons é muito grande. Prazer, admiração, carinho, atração e até mesmo devoção fazem de tudo isso quase uma patologia que ao invés de fazer mal, te devolve a vida que havia se perdido. Uma doença que não te machuca e sim te acalenta quando você acha que jamais será abraçado de novo. Um vírus que não te suga, mas que te fortalece e te faz pensar que é invencível. Uma loucura que não te rouba os sentidos, mas te faz pensar que ainda pode se tornar o que sempre sonhou.
 Chega simples com uma brisa e logo se torna um tornado de belas lembranças de onde não se quer jamais sair. Um nome de apenas três letras capaz de aos meus ouvidos se compararem a uma perfeita sinfonia.
 Continuo com as minhas convicções, vivendo um dia de cada vez e não precisando de nada além das minhas forças, mas não posso negar que daqui pra frente mesmo que não seja uma necessidade, é uma vontade quase incontrolável de ser brindado com essa presença. Uma presença que pode permanecer calada e imóvel, mas que pelo simples fato de estar lá já me faz acreditar que vale apena continuar. Até porque foi assim, sem muito alarde, que esse mesmo pássaro da cor da noite me resgatou quando eu estava prestes a desistir.

terça-feira, 12 de julho de 2011

13 DE JULHO

 Poucos sabem como começou e na realidade não se sabe ao certo. Anos 40, 50 ou 60. Tanto faz. Isso não importa agora.  O que importa que ainda continua muito vivo apesar de ter sua morte anunciada várias e várias vezes ao longo dos séculos.
 Vários sentimentos vêm à tona quando temos contato com ele. Rebeldia, amor, paixão, revolta, tristeza, felicidade e mais um turbilhão de emoções são provocados a todo o momento quando ele está presente. Ele tem o dom de tocar a alma e transformar para sempre a vida de quem o conhece. Poucas vezes foi traído e quando isso aconteceu, foi por pessoas que não mereciam sequer terem tomado conhecimento de sua existência.
 Ele já foi o maioral, hoje em dia é démodé. Já foi o terror das famílias de bem e continua o sendo. Ele já foi responsável por várias histórias de amor, atualmente participa só das mais interessantes.
 E o porquê dele ser assim? Tão apaixonante, intenso, capaz de proporcionar uma infinita gama de sensações aos que tem a sorte de lhe serem íntimos? Só experimentando para saber. É tão inexplicável quanto prazeroso, afinal suas múltiplas facetas encantam logo de cara e te dão a convicção que durará eternamente.
 Nenhum outro jamais fará frente a ele, nem de perto conseguirá repetir seus feitos. Ele é mais velho, mais experiente, mais sedutor e mais verdadeiro que qualquer outro. Ele forma opiniões, dita tendência, faz os que o seguem acreditarem que podem ser o que quiserem. Ele pode ser simples, complexo, rude, apaixonado, agressivo ou suave. É isso que o torna único e faz seus fiéis amantes serem o que ele quiser até o fim da vida.
 Isso é o Rock N’ Roll, o som que muitos desafortunados pensam estar ultrapassado. Nós somos rockers e não estamos nem um pouco preocupados com isso, por que sabemos que será infinito independente de qualquer coisa. Somos capazes de transcender o mais longínquo limite para continuarmos com ele, sempre com a certeza de que enquanto existir um garoto tentando dedilhar uma guitarra e sonhando em ser John, Paul, Keith, Clapton, Iggy, Randy ou qualquer outro, tudo continuará bem. Feliz 13 de julho a todos nós que somos movidos a liberdade, embalados a riffs e entorpecidos por Rock.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

PESSOAS E ESCOLHAS

 A imensidão de tipos diferentes de pessoas que precisamos conviver ao longo da vida é uma conta praticamente infinita. Infelizmente nem todas são do jeito que gostaríamos que fossem. E isso começa cedo, afinal não podemos escolher nossos pais ou irmãos e muito menos interferir na sua forma de pensar.
 Depois vem a escola onde temos que conviver com colegas de todas as espécies, famílias e criações diferentes onde muitas vezes temos que esforçar-nos muito para uma convivência no mínimo pacífica. E a vida continua seguindo, vem a faculdade, o trabalho, você vai morar sozinho e cada dia que passa se vê cercado de gente que no fundo você desejaria jamais ter conhecido em grande parte das vezes. Colegas e vizinhos que gostam de música brega, filmes óbvios, literatura barata e que não entendem 90 por cento do que você diz ou pensa.
Mais tarde aparecem tipos que querem que você se converta, use as roupas da moda, falam que você tem que parar de fumar, condenam seus porres, pedem para você não ser tão sincero e que já não tem mais idade para vídeo-game. Fora que chega uma hora que sua própria família te cobra um bom emprego, casa própria, casamento e filhos, te comparando a um primo mais velho ou até mesmo ao filho de alguma vizinha.
 Isso sempre acontece com todos, independente de gostos ou opiniões. Dia após dia somos obrigados a conviver e em muitas ocasiões a engolir pessoas que não nos acrescentam em nada, pior, ficam cobrando o tempo todo comportamentos que não condizem com nossa natureza. A pergunta é: por que tolerar? Pra que se submeter a isso? Tem alguma razão?
 Tem sim. Esses indivíduos vazios servem pra alguma coisa mais, além de nos chatear. Servem de parâmetro para que possamos dar o devido valor às pessoas que infelizmente raras vezes cruzam nossa existência. Pessoas que compartilham de gostos, idéias e pensamentos semelhantes aos nossos. Pessoas que fazem valer a pena acordar todo dia. Pessoas que fazem parar o tempo pelo simples fato de estar ao nosso lado, mesmo que fiquem caladas.
 São esses raros momentos que fazem a vida ter um motivo. As pessoas que escolhemos se tornam mais especiais ainda, quando comparadas as que nos são impostas e se nós fizermos uma conta, existe uma para mil numa proporção aproximada. Então se você pensar nisso, passe a valorizar ainda mais as pessoas que gosta de ter por perto, seja qual for sua relação com elas, por que simplesmente elas são seu oásis de bons momentos encravados num deserto de superficialidade. Elas são sua gota de lealdade num oceano de máscaras. Elas também podem ser a estrela cadente que irá atender seus pedidos num universo de falsas promessas.

terça-feira, 21 de junho de 2011

LEMBRANDO ANGÚSTIA E SOLIDÃO

A lua estava tão bela
Quando ele chorou
Por um minuto se descontrolou
E ao olhar a janela
Ele se lembrou
Dos velhos tempos ao lado do seu amor.

Lembrando, palavras e juras
Lembrando, da doce ternura
Lembrando aquela que o enfeitiçou.

Ela não o quer
E lhe abandonou
No ar estão seus pés, perdido no escuro
Ele quer entender
Por que tudo acabou
O que foi que ele fez que mudou seu futuro.

Solidão, só um pensamento
Solidão, que fere por dentro
Solidão, que o impede de sorrir.

Não consegue voltar
Das sombras do passado
Ela não vai voltar se ele ficar parado
Mas não vai adiantar
Se ele feito tolo
For a procurar pra sofrer de novo.

Angústia, sem o que fazer
Angústia, pressa de morrer
Angústia, talvez seja melhor o fim.